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Resumo de Livros: Libertinagem, de Manuel Bandeira

Considerado como sendo um dos autores mais expressivos e  importantes da literatura brasileira (e também mundial), Manuel Bandeira encontrou na poesia o alívio para sua vida “que poderia ter sido e não foi”.

Nascido no Recife, ainda no século XIX, Manuel Bandeira evoca em quase todos os seus poemas as lembranças de sua infância, período que marca profundamente as memórias do poeta. Participante ativo do movimento que restabelece as linhas literárias – o Modernismo –, Bandeira publicou Libertinagem em 1930 e, este livro é considerado uma de suas obras primas.

Traduzido em diversas línguas, Libertinagem é um livro composto por 38 poemas que seguem as premissas defendidas, ainda pela primeira geração de 1922 a 1930 – poemas curtos, cheios de humor, versos livres e brancos, prezando por uma linguagem altamente coloquial, abordando temáticas simples e do cotidiano, mas repletos de simplicidade, (embora, sejam notoriamente refinados e sem um pingo de pieguismo) – marca pessoal do poeta.

Todos os 38 poemas são cheios de imagens construídas com singular delicadeza e humor, mesmo quando abordam temas como a morte. Manuel Bandeira contraiu tuberculose ainda muito jovem, e cria ser vítima rápida da doença. O que não veio a se confirmar.

Alguns dos poemas mais importantes do livro, e que em geral, são cobrados em provas de vestibulares são:

* Porquinho-da-índia: poema narrativo e memorialista, conta com inocência a relação estabelecida pelo eu lírico e seu porquinho-da-índia de estimação.

* Tereza: neste poema, Manuel desenvolve uma das mais emblemáticas características da fase heróica: o poema – paródia. Aqui o eu lírico dialoga com “Adeus Tereza” de Castro Alves. Constrói um poema antilírico, distante de toda a idealização do romantismo.

*Madriagal Engraçadinho: pequena composição poética, no qual são apresentados três versos. Repleto do lirismo, a temática aqui distingue – se da anterior – há a exaltação do ser amado, por meio do olhar de uma criança, celebrando a própria vida.

*Virgem Maria: o poema, que embora tenha como figura a imagem da Santa, é um prenúncio da morte – temática constante nos poemas de Bandeira.

* Poema tirado de uma notícia de jornal: mais uma vez é a morte o tema do poema. O poema noticia a morte de um homem comum que trabalha numa feira-livre e vive numa favela. O personagem é encontrado morto na Lagoa Rodrigo de Freitas, ponto mais dramático do poema. Escrito em texto contínuo, cheio de ritmo, versos dissílabos e curtos quando aponta os prazeres da vida.

*Andorinha: neste poema que tem como símbolo a andorinha-pássaro que celebra a vida, há a presença da tristeza, do sofrimento, com os quais o poeta afirma não ter vivido a vida como queria – passou a vida inteira à toa.

*Evocação do Recife: aqui mais uma vez, há a presença de reminiscências da infância, além da presença do folclore e do memorialismo.

*Pneumotórax: clássico e conhecidíssimo poema de Bandeira, no qual ele retrata a própria doença. Em tom jocoso e cheio de ironia, há humor negro, coloquialismo, ironia e o emprego de diálogos.

*Irene no céu: relembra sua babe, pessoa querida em sua infância. Neste poema também faz a oposição da figura do negro e do branco.

*Vou-me embora pra Pasárgada: neste poema utópico, Manuel Bandeira cria um lugar onde possa realizar seus sonhos e fugir da morte. Mesclam-se elementos reais e nonsenses.

* Poética: poema declamado nas escadarias do Teatro Municipal, porquanto da Semana de 22. Assume aqui todas as propostas modernistas. Critica o formalismo, a burocracia, a falta de espontaneidade dos então poetas parnasianos. Dividido em 7 estrofes.

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