Resumo de Livros e Poemas: Navio Negreiro

O navio negreiro é um poema de Castro Alves e de grande valor na literatura brasileira. O autor toma de forma nada estética o negro como herói de sua obra, diferentemente do que faziam outros poetas. O poema descreve com imagens e expressões terríveis a situação dos africanos arrancados de suas terras, separados de suas famílias e tratados como animais nos navios negreiros que os traziam para ser propriedade de senhores e trabalhar como escravos.

Foi escrito em São Paulo, no ano de 1869, e é composto de seis partes alternado métricas variadas para obter o efeito rítmico mais adequado a cada situação retratada no poema.

O livro começa com o eu-lírico descrevendo a imensidão do mar, cruzado por ousados veleiros. As viagens são longas; nada se vê além do mar e do céu, e muitos perigos cercam os viajantes.

Mais adiante, discorre sobre os bravos marinheiros que cantavam com glória à sua pátria. Os marinheiros de todas as nações amam o seu trabalho, pois todos cantam enquanto navegam os mares.

Contudo, todo o romantismo com o qual o eu-lírico expressava suas visões daquele momento é rompido com uma música fúnebre. Eis que se apresenta uma cena terrível: inúmeros escravos negros, entre homens, mulheres e crianças, estão acorrentados e sangrando, e são obrigados a dançar para diversão da cruel tripulação. O poeta clama aos céus para acabar com este horror.

Após isso, o eu-lírico passa a questionar o porquê de Deus não intervir ou por que os astros e o belíssimo mar não eram capazes de abolir aquela lamentável imagem. Pergunta-se ainda sobre quem são aqueles homens, crianças e mulheres. Eles nasceram livres; mas foram capturados na África, trazidos acorrentados pelo vasto deserto até a costa, e embarcados nos porões fétidos dos navios negreiros. Muitos morrem durante a viagem e seus corpos são lançados ao mar.

O poeta, não acreditando no que vê, se indaga se aquilo realmente era real ou se ele estava delirando. Questiona que país seria capaz de tamanha barbaridade quando, então, decepcionado, encontra a resposta ao avistar a bandeira do Brasil, a sua própria pátria. Indignado, ele evoca José Bonifácio, o Patriarca da Independência, para retirar a bandeira do mastro, e também chama por Colombo, o Descobridor da América, para que se manifeste e impeça o navio de continuar viagem.